A Palo Seco
Ano 17, N° 20 (jan-jun/2025)
Dossiê teatro, filosofia e literatura
IV Seminário do GeFeLit
Grupo de estudos em Filosofia e Literatura
O cômico na Literatura Brasileira
Jacqueline Ramos
2008 ➭ 2009
GRACEJO OU CÔMICO INOCENTE
CÔMICO e CONHECIMENTO - 2021
Você tem notícia do latim?

Prêmio Capes de Teses 2014 - Letras e Linguística

Grupo de estudos em Filosofia e Literatura

Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq

Universidade Federal de Sergipe - UFS

IV Seminário do GeFeLit
Grupo de estudos em Filosofia e Literatura
GeFeLit – 2026



APRESENTAÇÃO

O GeFeLit, que surgiu em 2008, é um grupo de estudos associado à Universidade Federal de Sergipe que congrega docentes locais, nacionais e internacionais. Uma série de atividades foram realizadas neste período: I Colóquio (2008); I Seminário de Pesquisa (2009); II Colóquio (2010); III Colóquio (2013); II Seminário (2014); IV Colóquio (2017); e III Seminário (2019). Este ano estamos realizando o IV Seminário, com apresentação de palestras em mesas, que serão constituídas de professores e estudantes integrantes do grupo, para apresentação de pesquisas que têm sido realizadas na interface filosofia x literatura. Por ser um grupo já tradicional na Universidade Federal de Sergipe, o seminário vai selar seu compromisso com a apresentação à comunidade acadêmica de pesquisas que têm sido realizadas no âmbito da graduação e da pós-graduação na perspectiva crítica do diálogo entre literatura e filosofia.

Constituído de 6 mesas, o IV Seminário tem, entre seus objetivos: 1) fortalecimento das humanidades a partir dos estudos desenvolvidos pelo GeFeLit; 2) abertura de diálogo com a comunidade acerca de projetos atuais e possibilidades de projetos futuros; 3) integração entre docentes e estudantes que atuam no grupo; 4) divulgação das palestras apresentadas no seminário em anais, viabilizando a circulação dos textos surgidos a partir das comunicações.

O pensamento crítico produzido pela interface literatura x filosofia abre um espaço de resistência num momento em que a própria constituição do pensamento é quantificada em métricas e impactos quantitativos, servindo aos interesses neoliberais do tempo presente. Se por um lado a literatura, enquanto campo ficcional, colabora para a construção do conhecimento de dentro das esferas simbólicas, por outro a filosofia constitui uma rede teórico-crítica capaz de desvendar nuances do próprio pensamento e atribuir conceitos àquilo que nos aparece enquanto figuração. O encontro destas duas áreas favorece, assim, uma ampliação da consciência julgadora e um enriquecimento da subjetividade.

Que possamos, em mais este evento do GeFeLit, contribuir para a pesquisa na área de Ciências Humanas e descortinar alguns horizontes de reflexão crítica! Sejam bem-vindos!


Prof. Dr. Alexandre de Melo Andrade
Profa. Dra. Gabriela Lopes Vasconcellos de Andrade
Profa. Dra. Jacqueline Ramos

Inscreva-se no site da UFS


PROGRAMAÇÃO


20 | outubro.2026 (terça-feira) • Auditório da ADUFS

14:00h | Credenciamento

14:15h | Abertura do evento

14:30h | Mesa: INTERTEXTUALIDADE, CRIAÇÃO E EXPERIÊNCIA SUBJETIVA

Mediadora: Profa. Dra. Jacqueline Ramos

Título: As diferentes lavouras intertextuais
Profa. Dra. Maria A. A. de Macedo (DLES/UFS)

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A apresentação procurará explorar algumas diferenças do trabalho intertextual no modernismo, com André Gide e seu conto A Volta do Filho Pródigo, e aquele de um pós-modernismo, com Raduan Nassar e sua Lavoura Arcaica. Para tanto, irei empregar estudos de história da literatura e de filosofia. Os primeiros, para a explanação dos códigos desses dois movimentos ou tendências literárias e os segundos a fim de observar suas distintas visões de mundo.

Palavras-chave: Gide; Nassar; modernismo; pós-modernismo.


Título: Cortinas malditas: o xadrez da experiência interior em Twin Peaks – o retorno em Águas profundas: criatividade e meditação, de David Lynch
Profa. Dra. Gabriela Lopes Vasconcellos de Andrade (DLI/UFS)

Resumo visibility

O presente trabalho busca analisar Twin Peaks – O Retorno (2017), de David Lynch e Mark Frost, em diálogo com Em águas profundas: criatividade e meditação (2015), de David Lynch, a partir dos conceitos de experiência interior, dispêndio e mal em Georges Bataille. A série é compreendida como um jogo de xadrez no qual personagens, espaços e acontecimentos se movimentam por uma lógica abstrata, fragmentada e imprevisível. O jogo, conceito retirado do próprio livro teórico-criativo de Lynch, possui como centro do tabuleiro o Black Lodge, espaço em que a linguagem se fratura e as fronteiras entre sonho e realidade são borradas. Aproxima-se esse espaço da experiência interior batailleana, entendida como uma experiência sem finalidade que conduz ao extravio e à dissolução do sentido. A linguagem poética e a cinematográfica tornam-se, assim, o lugar em que o familiar se dissolve e possibilita uma existência que permite comunicar para além do compreensível. A análise mobiliza, ainda, a noção de dispêndio, compreendendo a morte, a violência e o excesso como gastos soberanos que escapam à lógica da utilidade. Assim, ao relacionar o literário e o cinematográfico de David Lynch, é possível pensar como as cortinas do Black Lodge guardam, portanto, o maldito e o mal-dito: aquilo que excede a linguagem e faz do cinema uma experiência interior.

Palavras-chave: Twin Peaks; David Lynch; Em águas profundas; George Bataille; Experiência interior.



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16h | Mesa: PENSAMENTO, LINGUAGEM E CRIAÇÃO

Mediador: Prof. Dr. Fernando de Mendonça

Título: Pnin e a construção do sujeito em exílio
Ariani dos Santos Fontes, doutoranda – PPGL/UFS

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Este estudo propõe uma leitura de Pnin, de Vladimir Nabokov, a partir do diálogo entre a identidade narrativa, em Paul Ricœur (2014), e o dialogismo, em Mikhail Bakhtin (2010; 2011). Investiga-se de que modo a linguagem e as múltiplas vozes do romance participam da construção do sujeito exilado, colocando em questão a sua existência para além das formas discursivas que o constituem. Nesse contexto, evidencia-se uma poética atravessada por vozes sociais em conflito.

Palavras-chave: Pnin; identidade narrativa; dialogismo; exílio; interpretação.


Título: Entre o sensível e o inteligível: a poética dos espelhos em Álvares de Azevedo
Alexandre Batista Paixão, doutorando – PPGL/UFS

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O presente trabalho faz uma interseção lítero-filosófica de Lira dos vinte anos (2000), de Álvares de Azevedo (1831-1852), a partir do princípio especular mediador entre o Sensível e o Inteligível, fundamentando-se em Platão (2004), Plotino (2007) e Proclo (2024), a fim de mostrar que o gênio criativo azevediano se organiza conforme uma poesia do reflexo.

Palavras-chave: Álvares de Azevedo; Platão; Literatura; Filosofia; Espelhamento.


Título: A imagem como abismo: melancolia e alteridade em Álvares de Azevedo e na lírica da banda HIM sob a ótica de Octavio Paz
Lohan Miranda Montes, mestrando – PPGL/UFS

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Este trabalho investiga a imagem poética como espaço de alteridade e consagração da melancolia, partindo das ideias de Octavio Paz. Propõe-se um diálogo trans-histórico entre a lírica de Álvares de Azevedo e a estética da banda HIM. Analisa-se como o amor e a morte operam como procedimentos formais que sustentam a fratura do sujeito. A imagem não busca curar a cisão ontológica, mas formalizá-la como modo de existência. Conclui-se que a linguagem converte a finitude em potência estética, tornando o abismo habitável.

Palavras-chave: Octavio Paz; Álvares de Azevedo; HIM; Melancolia; Imagem Poética.


Título: Romance e pensamento em Clarice Lispector
Thaís Santos Medeiros, doutoranda – PPGL/UFS

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Para Jacques Rancière (1995), o romance é a forma pela qual a poesia toma sua própria genealogia como matéria da fábula; mais do que isso, é a poesia da poesia se experimentando como pensamento. A partir dessa afirmação, propomos discutir os três primeiros romances de Clarice Lispector como expressões dessa concepção de romance, tal como formulada em A Política da Escrita (Rancière, 2017), no que diz respeito ao entrelaçamento entre literatura e filosofia.

Palavras-chave: Literatura; Clarice Lispector; Filosofia; Romance.


Título: Bilac, Deus e o Iluminismo: a face anticlerical de Olavo Bilac
Gabriel Souza Andrade, mestrando – PPGL/UFS

Resumo visibility

Este estudo busca analisar como alguns poemas de Olavo Bilac recuperam elementos do Iluminismo, especificamente da crítica ao clero exercida durante o Século das Luzes. Utilizaremos como corpus deste trabalho os três sonetos intitulados de “Deus”, de Bilac, em comparação com as ideias fomentadas pelo filósofo Voltaire em seus estudos, principalmente no seu Tratado sobre a tolerância (1763).

Palavras-chave: Olavo Bilac; Iluminismo; Voltaire; Deus.




21 | outubro.2026 (quarta-feira) • Auditório da ADUFS

14h | Mesa: LITERATURA: DIÁLOGOS COM A FILOSOFIA E COM OUTRAS ARTES

Mediador: Vladimir de Oliva Mota

Título: A dialética do olhar: apontamentos fenomenológicos entre poesia e pintura
Prof. Dr. Fernando de Mendonça (DELI/UFS)
Profa. Dra. Maria do Carmo Nino (UFPE)

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Num movimento autorreflexivo por parte dos autores, propõe-se uma discussão fenomenológica a partir do livro Pálpebra (2026), onde os poemas de Fernando e as pinturas de Maria do Carmo intercalam-se num painel especular, com palavra e imagem se completando para além da mera ilustração e sob uma tessitura visual e tátil ao exemplo da superfície de membranas e finas peles, como as pálpebras sobre os olhos.

Palavras-chave: Fenomenologia; Poesia e Pintura; Processos Criativos.


Título: O espaço enquanto categoria narratológica
Prof. Dr. Carlos Eduardo Japiassú de Queiroz (DLEV/PPGCINE/UFS)

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Pretende-se com esse trabalho realizar uma análise do Espaço no sentido de defini-lo de modo geral como uma categoria filosófica, a partir dos estudos aristotélicos, avançando para a análise narratológica de sua função no âmbito da teoria literária.

Palavras-chave: Espaço; Categoria; Narratologia.


Título: Sobre a experimentação filosófica na obra rosiana
Profa. Dra. Jacqueline Ramos (DLI/UFS)

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Para além de questões socioculturais, linguísticas e estéticas, a obra de Guimarães Rosa é simultaneamente locus em que concepções filosóficas são colocadas em devir, experimentadas e debatidas no simulacro ficcional. Nesse sentido, podemos pensar a filosofia de Heráclito em Grande Sertão Veredas, o neoplatonismo em Corpo de Baile ou, ainda, O mundo como vontade e representação de Schopenhauer em Tutaméia. Nosso objetivo é o de apresentar a obra rosiana, destacando esse intenso debate com a filosofia.

Palavras-chave: Guimarães Rosa; Literatura e Filosofia; Relativismo; Neoplatonismo; Vontade.


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16h | Mesa: POESIA, IMAGEM E TRANSCENDÊNCIA

Mediadora: Profa. Dra. Gabriela Lopes Vasconcellos de Andrade

Título: A imagem poética e o inconsciente na obra de Iara Vieira
Bianca Santos Alves – mestranda, PPGL/UFS

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A comunicação busca discutir a imagem poética na obra de Iara Vieira a partir das reflexões desenvolvidas por Octavio Paz no ensaio A imagem. Argumenta-se que a concepção de imagem poética formulada pelo autor amplia a compreensão dos símbolos recorrentes na escrita vieiriana. Para desenvolver essa reflexão, buscamos articular um diálogo entre literatura e filosofia. Inicialmente, apresenta-se um breve perfil biográfico e literário de Iara Vieira; em seguida, analisa-se o poema “Travessia”, publicado em A fome do paraíso (1994), buscando evidenciar como a imagem poética articula dimensões simbólicas e inconscientes na construção de sua escrita.

Palavras-chave: Imagem poética; Imaginário; Arquétipos; Iara Vieira.


Título: Da memória à transcendência: a reconstrução do eu/ser em Cecília Meireles
Tatiane Alves dos Santos, graduada – DLEV//UFS

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Cecília Meireles (1901-1964), em seu anseio de potencial criador, transforma a memória em um espaço de devaneio poético, por meio do qual o sujeito investiga sua identidade fragmentada e empreende uma busca transcendental pela compreensão do ser. A partir dos poemas publicados na revista Festa e na obra Viagem, em diálogo com Gaston Bachelard (1988), o estudo revela uma nova visão do viés metafísico do século XX.

Palavras-chave: Poesia mística; Memória; Devaneio poético; Modernismo.


Título: Filosofia e literatura: o tecido da linguagem poética no sujeito e no mundo
Jânio Vieira dos Santos, doutorando – PPGL/UFS

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Literatura e filosofia tecem, aparentemente, o mesmo fio da linguagem na construção de uma imagética voltada à problemática do eu no mundo. Seguindo esta premissa, pretendemos discutir tais aspectos em dois poetas contemporâneos, Santo Souza e Iara Vieira, de maneira a investigar a linguagem e a elaboração das imagens poéticas em seus respectivos versos. Utilizaremos, na discussão de nossas análises, aportes críticos e teóricos sobre filosofia e literatura com o intuito de contribuir para os estudos da crítica.

Palavras-chave: Literatura; Filosofia; Poesia; Crítica.


Título: Para que eu possa gozar o corpo, a lírica e o absoluto: a presença feminina e o erotismo místico nas páginas da revista Festa
Gustavo Santos Reis, graduado – DLEV/UFS

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Este trabalho investiga as contribuições de Cecília Meireles e Gilka Machado na revista Festa, atentando-se para o diálogo estético e filosófico entre a poética ceciliana sob a lente místico-erótica da “Cigarra de Fogo”. Esse diálogo acontece em um espaço que encosta o erotismo a uma busca metafísica, demonstrando como as poetas reiteram o modernismo de Festa, provando que a palavra feminina toca o Absoluto pela via da sensibilidade e do êxtase.

Palavras-chave: Mística; Erotismo; Modernismo; Espiritualismo; Escrita Feminina.




22 | outubro.2026 (quinta-feira) • Auditório da ADUFS

14h | Mesa: LITERATURA E METAFÍSICA DA CRIAÇÃO

Mediadora: João Paulo Santos Silva

Título: Sobre liberdade e vontade em Zorba, o Grego
João Victor Rodrigues Santos, doutorando – PPGL/UFS

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Considerando a criação literária como um espaço de (re)elaboração das angústias e anseios humanos, a ficcionalização narrativa faz com que os fatos narrados conectem-se a outras esferas da experiência humana com o mundo, como religião e filosofia. Com efeito, investigaremos como a construção subjetiva da Liberdade pode ser tensionada quando a relacionamos às manifestações da Vontade em Zorba, o grego, de Nikos Kazantzákis.

Palavras-chave: Literatura e filosofia; Mundos possíveis; Nikos Kazantzákis.


Título: Ensaística e metafísica em Diálogo com as raízes
João Victor Santos Bezerra, mestrando – PPGL//UFS

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A presente comunicação propõe uma leitura crítico-interpretativa da produção ensaística de Tasso da Silveira (1894-1995), investigando as relações entre seu Diálogo com as raízes (1971) e o pensamento metafísico. Tomando por corpus ensaios dedicados à reflexão sobre a criação artística, busca-se evidenciar como questões tradicionalmente associadas à metafísica atravessam sua reflexão estética.

Palavras-chave: Ensaística; Tasso da Silveira; Modernismo; Metafísica.


Título: Metafísica da criação em Wellington Brandão: uma leitura de “Deslumbramento de um triste”
Emily Tavares Nascimento, doutoranda – PPGL/UFS

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Para Wellington Brandão, “o espírito tem dois caminhos para a perfeição: a arte e a vida” (Brandão, 1935, p. 327). Partindo dessa concepção, este estudo busca percorrer as travessias poéticas que iluminam esse espírito, investigando a obra de Brandão e o modo como arte, natureza e espírito se articulam como princípios constitutivos de sua experiência criadora. Nesse sentido, analisaremos as dimensões metafísicas que permeiam sua concepção de criação poética, tomando como corpus a obra “Deslumbramento de um triste”. Essa leitura é orientada pelas concepções de Octavio Paz, Giambattista Vico e Maria Zambrano, cujas reflexões constituem o horizonte filosófico da pesquisa.

Palavras-chave: Wellington Brandão; Metafísica da criação; Poesia.


Título: O Surrealismo e a ontologia do tempo em Murilo Mendes
Antônio Joaquim Pereira Neto, doutorando – PPGL/UFS

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Este trabalho analisa o livro Poemas, de Murilo Mendes, demonstrando o modo como o poeta reflete sobre a condição da poesia moderna, sobre alguns dos seus princípios constitutivos, filiando-se à tradição surrealista. Com efeito, a fim de perceber as relações entre lírica e experiência urbana na poesia em destaque, este texto escrutina o gênio muriliano do tempo, identificado pela correspondência estética e filosófica de imagens poéticas que apontam para uma ontologia do tempo histórico e do fazer poético em análise.

Palavras-chave: Surrealismo; Filosofia; Poesia; Murilo Mendes.


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16h | Mesa: A NARRATIVA E SUAS RELAÇÕES ESTÉTICAS E POLÍTICAS

Mediadora: Alexandre de Melo Andrade

Título: Rubião: de herdeiro a bobo enlouquecido
Profa. Dra. Iasmim dos Santos Ferreira (egressa PPGL/UFS)

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O presente estudo pretende analisar os aspectos cômicos e os sentidos suscitados pelo enlouquecimento de Rubião na derrocada da herança recebida, sugada pelos parasitas que circundaram o novo rico. Rubião recebe o espólio e a loucura do filósofo Quincas Borba, personagem homônimo ao romance. Ancoramo-nos principalmente nos estudos de Dixon (2020), Minois (2003), Sá Rego (1989).

Palavras-chave: Rubião; Machado de Assis; Quincas Borba; Loucura.


Título: O paradoxo da arte não política em O retrato de Dorian Gray
Prof. Dr. Vladimir de Oliva Mota (DAVD/PPGF/UFS)

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O movimento do Esteticismo opõe-se à sujeição da arte à política, pois defende o primado da dimensão estética sobre todas as outras dimensões sem que a arte seja pensada como produtora de valores. O retrato de Dorian Gray (1890), de Oscar Wilde, é partidário dessa evicção da política pela forma, um promotor do Esteticismo portanto. Paradoxalmente, este romance, contrariando o moralismo vitoriano, fez novas formas de sentir ganhar corpo, novos circuitos de afetos emergir e, nesse sentido, exerceu uma influência política. O que aqui se pretende é entender por que O retrato de Dorian Gray, que se propõe não político, produz o efeito contrário, subversivo. A partir do “método da cena” de Rancière, é possível desfazer o paradoxo e compreender aquele romance – concentrado em ser um fim em si mesmo, em produzir uma pura perfeição formal, destituída de qualquer finalidade – como a manifestação de um dissenso, ou seja, como uma redistribuição das coordenadas sensíveis, em uma palavra, como arte política ao pretender ser arte não política.

Palavras-chave: O retrato de Dorian Gray; arte; política; Rancière.


Título: Modos de narrar em Estas estórias, de Guimarães Rosa
Prof. Dr. João Paulo Santos Silva (egresso PPGL/UFS)

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Apesar de publicado postumamente há quase sessenta anos, Estas estórias (1969), de Guimarães Rosa (1908-1967), não logrou muita atenção da crítica quando comparada a outras obras rosianas. Este trabalho pretende, pois, contribuir para o debate acadêmico dessa obra ao discutir o lugar das estórias para a compreensão da sua ficção a partir do discurso poético com as reflexões de Heidegger (2003), Paz (2019), Leonel (2000), Xisto (1991). Para tanto, partiremos do problema do foco narrativo, cuja discussão de Chiappini (2002; 2007) é basilar, como instaurador da poesia para em seguida trazermos à baila a emergência de um modo de narrar singular.

Palavras-chave: Guimarães Rosa; Estas Estórias; Foco narrativo; Poesia.




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